31 DE MARÇO

Conversando com minha esposa há pouco, lembramos desta data em que o país mergulhou nas trevas da tortura. Uma guerra surda que se desenrolou nos porões da sociedade, onde o lado mais forte foi o detentor das armas e dos aparatos repressivos.
À época eram comunistas versus capitalistas; ou burgueses versus proletários ou quaisquer outras denominações que se davam aos dois lados da luta de classes. Exatamente o que acontece hoje: quem não estava de uma lado, estava do outro! Quanto engano cometíamos.
Influenciados pelo estudo de Marx, Engels, Trostky, Maquiavel, Mao, Sun Tzu (A arte da guerra) e outros, acolhidos sob a bandeira católica libertária das CEBs, e ainda tão jovens, lutávamos pelo que acreditávamos (o outro lado também), pelas mudanças sociais, por liberdade de expressão e por um novo país.
Nossa parca contribuição não foi em vão: a Democracia - esse sistema político imperfeito mas perfeitamente estável - foi implantada, embora hoje manchada.
Entretanto, não nos arrependemos do pretérito, tampouco deixamos de lutar por um mundo melhor, agora em outro patamar: a mudança interna.
Nosso conhecimento e experiência sobre esse recente passado nos levaram para o lado profissional - eis o lado bom da história: transformar as dores do passado em sucesso pessoal.
Nossa homenagem a todos os que morreram - seres humanos de um lado e de outro - nessa triste página da história do Brasil, página virada, mas não esquecida.
"Meus" repressores já foram perdoados por mim e o que importa agora é estar bem com a própria consciência.
Que siga a vida!
(Frase da foto: Yole Guimarães/ Texto: Nailson Guimarães)

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