Nossos cases: Quando o vice não dá certo...
Sou publicitário e consultor de marketing político há uns “trocentos” anos mais!
Nessa meia vida presenciei muita coisa estranha na política partidária. Desde políticos extremamente honestos (e eles existem mesmo!), aos nem tanto assim. E, embora nunca tenha presenciado alguma falcatrua de quem eu desconfiava, sempre fiquei no limite da dúvida.
Nesse aspecto uma situação me marcou.
Nessa meia vida presenciei muita coisa estranha na política partidária. Desde políticos extremamente honestos (e eles existem mesmo!), aos nem tanto assim. E, embora nunca tenha presenciado alguma falcatrua de quem eu desconfiava, sempre fiquei no limite da dúvida.
Nesse aspecto uma situação me marcou.
Fomos convidados a assessorar a campanha de um candidato a prefeito do
interior, levados pelo pré-vice. Na articulação para a campanha, ainda sem os
nomes definidos para majoritário, eis que o futuro vice aparece e quer conversar.
Mesa de reunião, equipe a postos, mas ele prefere particular. Somente eu
e a sócia (“coincidentemente” minha esposa). Nos fala das crises do partido, da
conjuntura, das demandas, etc. E chega ao ponto: vai sair como vice apenas por estratégia,
pois sua equipe o lançará candidato pelo mesmo município na próxima eleição.
Ouvimos atentamente e ele nos vem com o cúmulo do absurdo:
- Se a gente ganhar a eleição, assim que assumir, a minha equipe vai começar um processo de destruição do prefeito. A gente vai solapar a administração e eu vou sair como herói. Ou a gente cassa e eu assumo ou a gente vai “acabar” com ele até ao final do mandato, enquanto eu me preparo para disputar o próximo mandato.
- Se a gente ganhar a eleição, assim que assumir, a minha equipe vai começar um processo de destruição do prefeito. A gente vai solapar a administração e eu vou sair como herói. Ou a gente cassa e eu assumo ou a gente vai “acabar” com ele até ao final do mandato, enquanto eu me preparo para disputar o próximo mandato.
A sócia me olha. Fico pasmado sem saber o que falar... O cara é ainda pré-candidato
e já fala em golpear o próprio “amigo” – simplesmente porque é de partido
diferente.
E ele nos questiona:
- O que vocês acham?
Fiquei calado enquanto a sócia fala:
- Se essa é a tua posição pessoal, quem somos nós para interferir? Só que a gente não compactua com traição – principalmente planejada. Esse é um problema teu no futuro, não nosso. E o município? Como é que fica com a destruição da administração? E o povo que confiou em vocês?
Aí veio esta pérola que ouvi em programa de humor da TV:
E ele nos questiona:
- O que vocês acham?
Fiquei calado enquanto a sócia fala:
- Se essa é a tua posição pessoal, quem somos nós para interferir? Só que a gente não compactua com traição – principalmente planejada. Esse é um problema teu no futuro, não nosso. E o município? Como é que fica com a destruição da administração? E o povo que confiou em vocês?
Aí veio esta pérola que ouvi em programa de humor da TV:
- O povo é apenas um detalhe...
Respondi na bucha, já bastante constrangido e irritado com a situação:
Respondi na bucha, já bastante constrangido e irritado com a situação:
- Só queremos ser profissionais e fazer a nossa parte. Quando a tua
consciência, ela mesmo te dirá se estás certo ou não.
Foi a única coisa que me veio à cabeça naquele momento em que a vontade era dar um cachuletada na venta daquele ignóbil!
Ele baixa a cabeça entendendo o recado e diz que é pra continuar a campanha. Foi embora nos deixando a dúvida: deixamos de ganhar dinheiro com o nosso trabalho naquele momento ou confiamos no candidato a prefeito - que nos parecia ser um homem bom?
Foi a única coisa que me veio à cabeça naquele momento em que a vontade era dar um cachuletada na venta daquele ignóbil!
Ele baixa a cabeça entendendo o recado e diz que é pra continuar a campanha. Foi embora nos deixando a dúvida: deixamos de ganhar dinheiro com o nosso trabalho naquele momento ou confiamos no candidato a prefeito - que nos parecia ser um homem bom?
Continuamos. Afinal, o fato se daria entre uma consciência e a sua
visão do mundo.
Através da experiência, planejamento, conhecimento do assunto e muito trabalho profissional - em que até discursos escrevíamos para o majoritário - ganhamos a eleição!
Através da experiência, planejamento, conhecimento do assunto e muito trabalho profissional - em que até discursos escrevíamos para o majoritário - ganhamos a eleição!
Quanto ao resto, acabada a nossa parte eleitoral, foi exatamente o que o
vice planejara: a administração foi solapada, o prefeito não conseguiu governar,
o município se perdeu em tramas e desacertos e só sobrou para o eleitor.
O vice, causador maior do caos planejado, realmente se lançou candidato
na outra eleição como planejara e – felizmente - não conseguiu se eleger.
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PS. Antes que alguém tente identificar alguém: não era PT, tampouco PSDB.
PS. Antes que alguém tente identificar alguém: não era PT, tampouco PSDB.
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